Notícia

Jornal Cidade (Rio Claro, SP)

22% das muçarelas de búfala têm mistura

Publicado em 21 janeiro 2007

Por Rita de Cássia Cornélio

Pesquisa com 50 marcas do produto no mercado mostra que 11 apresentam leite de vaca

Botucatu - Para garantir ao consumidor de muçarela de búfala a aquisição de um produto genuinamente puro, o Laboratório de Fracionamento de Proteínas do Departamento de Física e Biofísica do Instituto de Biociência (IB) da Unesp de Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru) realizou uma pesquisa com 50 marcas existentes no mercado. O resultado não foi o melhor para o consumidor, 22%, ou seja, 11 delas, continham mistura de leite de vaca.
O mais preocupante, no entanto, é que nenhuma delas mencionava no rótulo a existência da mistura. Conclusão, o consumidor estava comprando gato por lebre, como se diz popularmente. Como as pesquisas nessa área não são tão comuns, não há trabalhos que possibilitem afirmar com certeza se a quantidade de leite de vaca adicionada poderia comprometer a saúde dos alérgicos.
O professor do IB e coordenador do Laboratório de Fracionamento de Proteínas, onde a pesquisa foi desenvolvida, Paulo Roberto Rodrigues Ramos, explica que a mistura de leite de vaca colocada na muçarela de búfala aparentemente é pequena.
"Eu acredito que essa quantia não pode acarretar riscos se considerarmos uma pessoa adulta. Em se tratando de criança, a mistura pode ter outro significado, caso ela seja alérgica", alerta.
Segundo ele, essa mistura é um ponto a ser discutido: até quando a mistura do leite de vaca pode comprometer a saúde dos alérgicos? "Não existem dados que podem nos apoiar para uma afirmação mais efetiva", afirma.
O professor ressalta que a pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) surgiu a partir da necessidade dos criadores de búfala, mais especificamente da Associação Brasileira de Criação de Búfalos, em criar um selo de garantia. "Para comprovar a pureza da muçarela de búfala, eles queriam instituir o selo 100% búfala, por isso desenvolvemos essa linha de pesquisa", explica Ramos.
O selo de controle de qualidade criado pela associação há três anos é adotado por cerca de 16 marcas. A pesquisadora, médica veterinária e pós-graduanda do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, Kate Buzi, constatou ainda que os produtos com selo de qualidade não continham a adição de outro produto. Para o coordenador do laboratório, isso não significa que as marcas de muçarela que não tenham o selo 100% búfala sejam todas falsas.
Apesar disso, Ramos considera que a falha no rótulo deixando de citar a mistura na composição é um fato grave. "Porque há uma portaria ministerial que exige que todos os itens do produto sejam mencionados", alerta.
Ramos questiona, inclusive, se isso não configura um crime contra a economia popular. "Quando um produto é colocado no mercado tem que conter as informações de seu conteúdo no rótulo. Se o rótulo não condiz com o produto, o consumidor está sendo enganado", diz.
Ele lembra que, no caso da muçarela de búfala, o consumidor paga mais caro. "É um produto diferenciado que o consumidor não tinha a garantia de pureza. É nesse meandro que o nosso projeto entra, garantindo à população que a pessoa está levando um produto legítimo. A gente está tentando proteger a parte mais sensível do consumidor, que é o bolso", defende.

Light e integral
Botucatu - Dez marcas diferentes de requeijão, light e integral estão sendo avaliadas pelo Laboratório de Fracionamento de Proteínas do Departamento de Física e Biofísica do Instituto de Biociência (IB) da Unesp de Botucatu.
Segundo o responsável pelo laboratório, Paulo Roberto Rodrigues Ramos, os resultados preliminares apontam que não foi encontrada diferença protéica entre os dois tipos de produtos. "Os resultados ainda estão sendo analisados, precisamos quantificar melhor. Aparentemente não existe diferença de proteínas nos produtos, contrariando o que pensávamos encontrar antes da pesquisa", diz.
Um estudo iniciado há um ano e em andamento no mesmo laboratório pretende analisar a composição protéica do leite em pó desnatado e integral de diversos marcas. Outra pesquisa analisa a variação da proteína do leite de ovelha em diferentes fases e interferência no produto final. O peixe bacalhau também é objeto de um trabalho que já está na fase final e pretende avaliar peixes comercializados como o famoso norueguês.