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21 de setembro: Dia Mundial da Doença Alzheimer

Publicado em 19 setembro 2014

A memória vai enfraquecendo e o raciocínio já não é mais o mesmo. Fatores que para muita gente são características normais do envelhecimento,são também os sintomas iniciais de uma das doenças mais comuns entre idosos do mundo todo: o Alzheimer. Estima-se que cerca de 35,6 milhões de idosos sofrem com o mal em todo o mundo, 1,2 milhão apenas no Brasil.

Para alertar a população sobre a doença, 21 de setembro foi definido como Dia Mundial do Mal de Alzheimer. A enfermidade recebeu este nome porque em 1907 o neurologista alemão Alois Alzheimer a descreveu pela primeira vez. A Doença de Alzheimer é um mal degenerativo que afeta, além de outros pontos, a memória do diagnosticado, prejudicando sua noção de tempo e realidade. Ocorre em aproximadamente 50% a 60% dos casos de demência entre idosos.

O brasileiro com Alzheimer leva mais de três anos para obter o diagnóstico, já que os sintomas como perda de memória, dificuldade de raciocínio e desorientação são geralmente associados ao processo de envelhecimento. Outros sintomas incluem mudança de personalidade e da capacidade de julgamento. Para diagnóstico correto, é necessário ajuda de um médico. Avaliação de histórico médico, mental, nível de comunicação, tomografia e ressonância magnética são algumas formas para a confirmação da enfermidade.

Cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% com mais de 85 anos podem apresentar algum sintoma dessa enfermidade. Com a evolução da doença, o idoso com Alzheimer apresenta uma deterioração progressiva e irreversível de suas funções intelectuais, comunicação e capacidade de realizar suas tarefas cotidianas. Após o diagnóstico, o tempo médio de sobrevida varia de oito a dez anos.

A enfermidade tem como principais sintomas a redução da capacidade mental, perda de funções cognitivas, como memória e atenção, e desorientação entre tempo e espaço, o que provoca alterações comportamentais. O idoso passa a esquecer de atividades simples, como sua rotina, seus compromissos e recados.

A causa específica do Alzheimer ainda não é conhecida, assim como sua cura. O tratamento visa atenuar os sintomas e garantir um mínimo de qualidade da vida ao portador da doença. No entanto, cuidar de um idoso com Alzheimer pode ser extremamente desgastante. Por isso, multiplicam-se os grupos de apoio a familiares e cuidadores, para a troca de experiências.

A doença não tem cura, mas estudos indicam que não são apenas a genética e o envelhecimento natural os principais desencadeadores da enfermidade. O controle dos fatores de riscos evitáveis, como tabagismo, pressão arterial, controle no consumo de açúcar favorecem na diminuição dos riscos do Mal de Alzheimer e de outros tipos de demência.

Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população mundial, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já prevê que o número de casos de demência, e consequentemente, de Alzheimer, irá mais que dobrar até 2050. Na América Latina, esse aumento irá ultrapassar os 500%. Conhecer melhor a doença pode não prepará-lo para o seu aparecimento, mas com certeza ajudará na forma de lidar com ela.

MITOS E VERDADES

O neurologista Antônio Eduardo Damin, especializado em Neurologia Cognitiva e Comportamental pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, esclarece alguns mitos e verdades sobre a doença. O médico já participou com artigos para a Revista Ao Seu Lado, uma parceria da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) com a Libbs Farmacêutica, entregue nos consultórios médicos. A publicação aborda temas como a prevenção da Doença de Alzheimer, além de exercícios para melhorar a mobilidade dos portadores da doença e os desafios dos cuidadores.

1. O primeiro sintoma do Alzheimer é sempre a perda da memória.

MITO: apesar de ser o sintoma inicial mais comum, nem sempre a perda da memória é o sintoma que sinaliza o início da doença. Em algumas pessoas os sintomas iniciais da Doença de Alzheimer podem ser desorientação no tempo e espaço, dificuldade de linguagem , dificuldade para planejar ou resolver problemas mais complexos ou mesmo realizar tarefas corriqueiras, alterações de humor e comportamento dentre outras .

2. Esquecer as coisas significa ter a Doença de Alzheimer.

MITO. Problemas de memória podem estar relacionados a diversos fatores, como outras demências ou até mesmo estresse, ansiedade e depressão. Outras causas de esquecimento podem ser associadas a distúrbios do sono ou uso de medicamentos que afetem a memória. A doença de Alzheimer, em fases iniciais atinge a capacidade de guardar novas memórias e as mais recentes, enquanto memória de fatos acontecidos há mais tempo (como na infância) são preservadas. As pessoas afetadas pela Doença de Alzheimer possuem um quadro progressivo de dificuldade de memória.

3. Quem tem Alzheimer não consegue compreender o que se passa ao seu redor.

MITO: o portador desta doença se mantém consciente do que está acontecendo ao seu redor, apesar das dificuldades de memória e dos outros sintomas. Apenas nos estágios avançados isso pode mudar. O importante é não tratar o idoso com Alzheimer de forma infantilizada. Deve-se preservar seu papel e espaço nas relações familiares.

4. Jogos de raciocínio, como palavras cruzadas e sudoku, ajudam a evitar a doença.

MITO: esse tipo de jogos de raciocínio podem amenizar os sintomas e até ajudar no tratamento. Porém, sua prática não evita que uma pessoa desenvolva ou interrompa a evolução da doença.

5. Praticar atividade física é importante para pessoas com Alzheimer.

VERDADE: exercitar-se pode retardar a manifestação da doença, assim como amenizar seus sintomas, além de melhorar a qualidade de vida do cuidador e paciente. Se o paciente não possui contraindicação à prática de alguma atividade física, esta deve ser incentivada e o sedentarismo evitado. Mesmo em pessoas que não possuem a doença, há estudos sugerindo que a prática regular de atividade física pode contribuir para a prevenção da doença de Alzheimer no futuro.

6. A Doença de Alzheimer não tem cura.

VERDADE: infelizmente a doença não tem cura após seu estabelecimento. Porém, existem tratamentos que retardam sua evolução e outros que minimizam os distúrbios cognitivos, do humor e do comportamento. Alguns medicamentos podem tornar o processo mais demorado ou atacar problemas paralelos da doença, como insônia ou agitação.

7. Cuidadores e familiares também precisam de cuidado para conviverem com a doença.

VERDADE: a Doença de Alzheimer exige tanto das pessoas que cuidam dos pacientes que é preciso que elas mantenham-se física e psicologicamente saudáveis para dar conta de uma situação que gera extremo estresse. Tratar do portador de Alzheimer é também cuidar de quem está em torno dele. É importante participar de grupos de apoio, aprender a lidar com a culpa, cansaço, angústia, além de mudanças na rotina e cuidados com o paciente.

MEDICINA E AFETO NO TRATAMENTO

"Os principais sintomas quase não são percebidos. As pessoas acreditam que são 'coisas da idade', e quase sempre a busca por ajuda ocorre quando o idoso já apresenta sintomas mais graves. Por isso é importante estar atento e procurar apoio profissional para iniciar o tratamento de forma rápida", afirma Roberta Seriacopi, psicóloga e coordenadora de gerontologia, do residencial da terceira idade, Lar Sant'Ana, de São Paulo.

A constatação de Alzheimer atinge, além do idoso, a família e as pessoas que com ele convivem. Todos terão de alterar suas rotinas para acompanhá-lo mais de perto e garantir segurança e tratamento médico. Atividades intelectuais e físicas também são grandes aliados no controle da enfermidade. "Os exercícios que estimulam a memória apresentam resultados significativos no tratamento de Alzheimer. Além de estimular o cérebro, a prática propõe momentos de descontração e prazer", explica Roberta.

REALIDADE VIRA FICÇÃO

As histórias contadas por um neto que cuidou da avó com Alzheimer virou livro e foi lançado em julho. Fernando Aguzzolli, estudante de filosofia, 22 anos, largou a faculdade e um incipiente negócio para cuidar de sua avó, Nilva. Ele, nascido e criado em Porto Alegre, mudou o rumo da vida quando soube que sua avó, que lhe dedicou boa parte da vida, havia sido diagnosticada com o Alzheimer.

Ele transformou as histórias vividas nos seis anos em que acompanhou a rotina diária da avó doente, em uma página no Facebook, que alimentava diariamente com as situações cotidianas temperadas com humor. Os posts ganharam projeção nacional e se transformaram nos 11 capítulos do livro 'Quem, eu? Uma avó. Um neto. Uma lição de vida'. A avó faleceu no ano passado, mas o autor espera que os detalhes desse aprendizado, o conhecimento sobre a doença e o tom de humor usado no livro ajudem os envolvidos em situações semelhantes.

GRUPOS DE APOIO

EM CAMPINAS

Em Campinas a AMADA - Associação Apoio Maior ao Doente de Alzheimer - é uma entidade de apoio, solidariedade e conforto às famílias e, principalmente, aos cuidadores de portadores da doença de Alzheimer. Foi criada em 1991 e reúne familiares e amigos de portadores da doença. Quinzenalmente promove encontros para troca de experiências, debate com especialistas, mantem contato com familiares distantes, além de disponibilizar biblioteca e videoteca sobre o assunto.

As reuniões da AMADA ocorrem sempre na 1ª e 3ª sexta-feira do mês, das 14 às 16 h, no Centro de Estudos do Hospital Irmãos Penteado - entrada pela Rua Benjamin Constant 1.657, no centro de Campinas/SP. Contatos pelo email: amada@amada.org.br

NO RIO DE JANEIRO

No Rio de Janeiro, o Hospital Rios D'Or, na Freguesia, é um dos locais que oferece apoio a familiares. O Grupo de Apoio a Familiares de Pessoas com Alzheimer é formado por uma equipe multidisciplinar, que inclui neurologistas, fonoaudiólogos, geriatras e psicólogos. Criado há quatro anos, o Grupo realiza encontros mensais sobre diversos assuntos relacionados ao Alzheimer e à melhoria do bem-estar do paciente.

"O mal de Alzheimer acaba fazendo com que o idoso perca a capacidade de cuidar de si mesmo, ele volta a ser como uma criança, e cuidar deste idoso demanda uma atenção muito grande. Por isso, não é raro ver familiares que abandonam a própria vida para cuidar destes pacientes. O Grupo de Apoio é importante como um suporte nesta situação tão sacrificante, esclarecendo questões da doença, oferecendo dicas de cuidados e, o mais valioso: permitindo a troca de informações entre familiares. É importante saber que não se está sozinho", explica a dra. Maria Helena Manhães Rocha, psicóloga do hospital Rios D'Or e uma das fundadoras do Grupo. www.facebook.com/grupoapoioalzheimer

PESQUISA PAULISTA INTEGRA REDE INTERNACIONAL

Projetos de pesquisa com auxílio ou bolsa da FAPESP na área de Alzheimer passaram a integrar a base de dados do International Alzheimer's Disease Research Portfolio (IADRP), onde já estão disponíveis as informações de 246 projetos de pesquisa em São Paulo. As pesquisas indexadas podem ser consultadas em iadrp.nia.nih.gov.

O IADRP reúne informações de 23 organizações sobre pesquisas na área. A FAPESP é a primeira instituição brasileira a participar, integrando o Brasil ao grupo de países com pesquisas indexadas na base internacional - omposto por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Polônia e Itália.