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Revista Controle & Instrumentação

1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0

Publicado em 01 dezembro 2017

Depois de dois dias de evento, "implementar com urgência um projeto de reindustrialização inserido na indústria 4.0 para aumentar o nível de automação e possibilitar novas formas de organização dos sistemas de produção", seria um resumo do 1º Congresso Brasileiro de Indústria 4.0, realizado pela Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, em parceria com o Ciesp - Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, o Senai - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo e a ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Um dia de discussão, outro de visita à planta piloto montada pelo Senai para estudo na prática, na unidade de São Caetano.

A "Manufatura Avançada" tem promovido a indústria norte-americana e a estratégia "Indústria 4.0", a indústria alemã. O Brasil precisa de uma estratégia para alavancar a indústria brasileira na quarta revolução industrial.

Segundo José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da instituição, o Brasil enfrenta um forte processo de desindustrialização, como é definida a redução da capacidade industrial de um país.

A participação da indústria brasileira na indústria mundial caiu praticamente pela metade nos últimos 20 anos, de 3,47% em 1995 para 1,84% em 2016. Já a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano foi de 11,1 %, atingindo o mesmo patamar de 1953, ponderou Roriz.

"A participação da indústria no PIB brasileiro regrediu 65 anos. E, por conta disso, a produtividade brasileira estagnou", explicou o executivo.

Em 1980, quando a participação da indústria no PIB brasileiro atingiu o patamar de 20,2%, a produtividade brasileira em comparação com a dos Estados Unidos chegou a 40,3%. Em 2015, porém, caiu para 24,9% - mesmo índice de 1950. Com a queda da participação da indústria no PIB brasileiro, a produtividade do país em comparação com a dos EUA também regrediu quase 65 anos. Enquanto o país vem passando por um aprofundamento muito grande do processo de desindustrialização, economias de 'alta e média intensidade tecnológica, como Estados Unidos, Alemanha, Japão e China, têm feito grandes investimentos para acelerar a migração para a indústria 4.0.

Uma pesquisa realizada em 2016 pela consultoria PWC, com duas mil empresas em 26 países, apontou que elas investirão em indústria 4.0 o equivalente a US$ 907 bilhões por ano até 2020-cerca de 5% de suas receitas. Com isso, essas empresas esperam obter uma redução de US$ 421 bilhões em seus custos de operação e obter ganhos de receita equivalente a US$ 493 bilhões por ano. A Europa, por exemplo, planeja investir cerca de € 1,35 trilhão ao longo dos próximos 15 anos em indústria 4.0; deste total, € 250 bilhões deverão ser aportados por empresas alemãs; a China planeja investir € 1,8 trilhão nos próximos anos para modernizar sua indústria. Então, para poder competir com esses países, o Brasil precisa se reindustrializar, já focando em indústria 4.0.

Mas o Brasil precisa superar obstáculos como o de melhorar sua infraestrutura tecnológica, criar linhas de financiamento apropriadas e desenvolver competências e capacitações em tecnologias cruciais para implementação da indústria 4.0, como robótica avançada, manufatura aditiva - construção de objetos por impressão 3D - , realidade aumentada e materiais funcionais, apontaram os participantes do evento.

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fapesp, ressaltou que já existe uma base mínima de competências instalada em universidades e em empresas relacionadas à manufatura avançada e Internet das Coisas e avaliou que o Programa Fapesp Pesquisa lnovativa em Pequenas Empresas (PIPE) tem apoiado um expressivo número de pequenas empresas nascentes de base tecnológica com projetos em áreas relacionadas à manufatura avançada- cerca de 45 das empresas apoiadas pelo programa desenvolvem projetos focados em manufatura avançada.

Segundo Pacheco, há um crescente interesse de startups apoiadas pelo PIPE em desenvolver projetos relacionados à automação e inteligência artificial, além de fotônica, robótica e digitalização. E essas competências tecnológicas têm sido desenvolvidas em São Paulo, ainda que novas competências precisem de maior atenção - digitalização, realidade aumentada, impressão 3D e materiais inteligentes ou funcionais, como metais leves e de alta resistência, ligas de alto desempenho, cerâmicas avançadas, compósitos e polímeros. Além da Fapesp, falaram sobre isso Jorge Almeida Guimarães- Diretor-Presidente da Embrapii -, Luiz Augusto de Souza Ferreira - Presidente da ABDI -, Oswaldo Massambani - Superintendente Regional da Finep - , e Milton Luis de Melo Santos - Diretor Presidente da Desenvolve SP.

Luiz Augusto de Souza Ferreira, Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI moderou as discussões que se seguiram às apresentações dos convidados Rafael Moreira- assessor especial para Indústria 4.0 do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços - , Byoung-Gyu YU - Presidente do Instituto Coreano para Economia Industrial e Comércio -, Rainer Stark - Diretor da Divisão de Criação de Produtos Virtuais do Instituto alemão Fraunhofer - , Karin Mayer Rubinstein - Presidente e CEO da lATI Israel Advanced Technology lndustries -, Lynne McGregor - Especialista em Manufatura de Alto Valor Agregado na Instituição lnnovate UK -, Suresh Kannan - Membro do Industrial Internet Consortium (IIC) e Presidente da Digiblitz - , e Yutaka Manchu - Secretário-Geral Adjunto do Conselho de Revolução Robótica do Japão e especialista em Internet das Coisas Industrial.

Para compartilhar experiências e perspectivas, reuniram-se Osvaldo Lahoz Maia - Gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP - , Marcos Pinto do Amaral - Gerente da Engenharia de Manufatura e Novos Programas da Volkswagen - , Eduardo Almeida - Presidente para a América Latina da Unisys - , e Marcos Giorjiani, Diretor Geral da Beckhoff.

As discussões deixaram a certeza de que a indústria nacional precisa de apoio institucional porque a Indústria 4.0 não é apenas a conectividade entre máquinas, sistemas e negócios. Isso já existe, em diferentes graus. A disrupção acontece mesmo na manufatura aditiva, que deve deslocar a produção para o local de uso e, mais difícil, tornar possível o lote de um produto personalizado, a customização em escala!