A Butantan-DV será integrada ao Programa Nacional de Imunizações e disponibilizada, inicialmente, para pessoas de 12 a 59 anos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (26) uma nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro do tipo no mundo com capacidade de oferecer proteção com somente uma dose aplicada
O processo de aprovação inclui a assinatura de um termo de compromisso entre o órgão e a instituição sediada em São Paulo (SP), que libera de maneira definitiva o registro da Butantan-DV, após a avaliação técnica. De acordo com o g1 , ela cumpriu todos os critérios exigidos para a liberação.
Imunizante tetravalente de dose única, a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan registrou 74,7% de eficácia geral na prevenção dos casos de dengue sintomática , na faixa etária dos 12 aos 59 anos, segundo os dados do ensaio clínico de fase 3 avaliados pela agência. O estudo teve a participação de 16 mil pessoas.
Desenvolvida com os quatro sorotipos do vírus da dengue, a nova vacina apresentou reações leves a moderadas como dor de cabeça e fadiga, além de vermelhidão e dor na área de aplicação . Já as reações adversas foram raras e todos os que sentiram se recuperaram.
Ela se diferencia de outros imunizantes contra a dengue, como a QDenga, pela exigência de somente uma dose. Tal característica impacta diretamente na cobertura vacinal, especialmente em situações de emergência sanitária, além de resultar em uma maior adesão da população.
Apesar da aprovação da vacina do Butantan contra a dengue, ainda não há previsão de quando ela será integrada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) . O Instituto possui mais de 1 milhão de doses prontas e prevê a oferta ao Ministério da Saúde de mais 100 milhões entre 2026 e 2027.
Inicialmente, a Butantan-DV será disponibilizada para pessoas de 12 a 59 anos . Posteriormente, a Anvisa poderá liberar a aplicação em outras faixas etárias, como de 2 a 11 anos e de 60 a 79 anos, ao concluir as análises de outros ensaios clínicos.
André Luiz Dias Gonçalves
Jornalista formado pela PUC Minas, escreve para o TecMundo e o Mega Curioso desde 2019.