Notícia

Olhar Direto

150 cientistas discutem rumo das abordagens para câncer e doenças neurodegenerativas

Publicado em 17 junho 2011

Com patrocínio da FAPESP, o Hospital A.C.Camargo promove de 19 a 24 de junho o 2nd A.C.Camargo Global Meeting, evento com 33 dos principais nomes em Medicina Molecular do mundo, que vão compartilhar seus trabalhos com uma plateia seleta composta por cento e vinte jovens cientistas do Brasil e exterior. Será apresentado o que há de novo em diagnóstico molecular e estratégias terapêuticas contra doenças oncológicas, neurodegenerativas, dor e memória

Voltado ao intercâmbio internacional em medicina molecular, o Hospital A.C.Camargo por meio de seu Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Oncogenômica (INCiTO) em parceria com o Instituto Nacional de Neurociência Translacional promove de 19 a 24 de junho, em São Paulo, o 2nd A.C.Camargo Global Meeting of Translational Science (perfis e programa em http://www.accamargo.org.br/schoolscience2011/). O Encontro faz parte do programa de Escolas Avançadas para difusão da Ciência Translational (integração entre diferentes áreas de pesquisa), da FAPESP.

O programa reúne 33 cientistas de renomados Institutos como o Memorial Sloan-Kettering, Robarts Research Institute, SicKids, Sanford-Burnham e Ludwig Institute for Cancer Research universidades dos Estados Unidos, Canadá, e Brasil como o Universidades de Nova Iorque, Washington, Duke, Toronto, Califórnia, Ontário, Católica do Rio Grande do Sul Federais de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, dentre outras. Dentre os temas que compõem a extensão programação de 60 horas, destacamos avanços em tratamento de câncer, dor e doenças neurodegenerativas.

Tratamento da dor - o bioquímco Marcus Vinícius Gomes, da Universidade Federal de Minas Gerais, descobriu que toxinas de uma aranha brasileira (Phoneutria) podem ser utilizadas no tratamento da dor e de outras possíveis aplicações terapêuticas para isquemia cerebral. Outro destaque na área é o Terrance Snutch, do Brain Research Centre, do Canadá. Snuch desenvolveu novas drogas para o tratamento da dor e criou uma indústria de biotecnologia para comercializar o desenvolvimento dessas drogas.

Ainda sobre dor, Michael Salter, do SickKids Research Institute, do Canadá, abordará estudos sobre como neurônios processam estímulos dolorosos e sobre a participação das células da glia neste processo. "Os trabalhos de Michael Salter permitiram que hoje conhecêssemos mais sobre a biologia da dor e seu desenvolvimento e novas estratégias e drogas para o alivio dos estados de dor crônica", destaca a bioquímica do Hospital A.C.Camargo e coordenadora geral do evento, Vilma Regina Martins.

Doenças Neurodegenerativas - Quatro renomados cientistas trarão ao A.C.Camargo Global Meeting 2011 seus recentes estudos que têm como alvo as alterações causadas por doenças neurogenerativas. Um deles é Marc Caron, da Duke University Medical Center, dos Estados Unidos - cientista pioneiro no estudo do papel de neurotransmissores como a dopamina e serotonina em doenças psiquiátricas como esquizofrenia, depressão e dependência de drogas. Caron apresentara formas de tratar essas doenças e de como produtos de genes que controlam a atividade desses neurotransmissores podem influenciar doenças psiquiátricas.

Por sua vez, John MacDonald, do Robarts Research Institute, da University of Western Ontario, do Canadá, estuda como neurônios se comunicam no cérebro e como essa comunicação é afetada na doença de Alzheimer. Stephen Ferguson, também do Robarts, estuda a Coréia de Huntington - doença hereditária caracterizado por perda da memória, movimentos anormais e morte prematura - e descobriu como receptores do neurotransmissor glutamato podem ser utilizados no alivio dos sintomas dessa doença.

Pioneiro no estudo do papel de peptídeos amilóides na doença de Alzheimer, William Klein, da Northwestern University, dos Estados Unidos, descobriu que um fragmento da Proteína Precursora de Amilóde agrupado em estruturas oligoméicas (ADDLs) é a forma mais tóxica, para neurônios, desta proteína. Seu trabalho demonstrou que esses peptídeos funcionam como toxinas que atrapalham a comunicação entre neurônios no cérebro causando distúrbios cognitivos, neurodegeneração e perda de memória.

No Global Meeting 2011, Klein abordará como este conhecimento pode ser usado no entendimento dos mecanismos associados com a doença e no desenvolvimento de novas terapias. Em associação com Fernanda de Felice e Sergio Ferreira (que também participa do evento como conferencista) da UFRJ, Klein mostram que a insulina pode proteger as sinapses (conexões neuronais) dos efeitos tóxicos destes ADDLs, o que pode declinar com a idade e a diabetes. Os efeitos protetores da insulina representam um potencial importante para retardar ou deter a patogênese da doença de Alzheimer.

O trabalho iniciado há 15 anos por Ricardo Brentani, presidente do Hospital A.C.Camargo com a proteína príon, que quando alterada causa doenças neurodegenerativas humanas chamadas de doenças por príon e que no gado são popularmente conhecidas como "doença da vaca louca" foi seguido pelos grupos de Vilma Martins, do A.C.Camargo, Marco Prado, do Robarts Researh Institute e Rafael Linden, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vilma, Marco e Rafael discutirão os aspectos relacionados ao papel da proteína príon na proteção das células particularmente dos neurônios e de como isso pode ser usado para no controle não só das doenças por príons, mas na doença de Alzheimer. Vilma Martins abordará ainda o papel da proteína príon em tumores da glia altamente agressivos, os glioblastomas, e como esta proteína pode ser um alvo para o tratamento destes tumores.

Memória - Alguns cientistas falarão sobre os mecanismos relacionados à formação da memória. Ivan Izquierdo, da Universidade Católica do Rio Grande do Sul e principal referência internacional nesta com mais de 500 artigos publicados, discorrerá sobre o que faz algumas memórias consolidadas durar alguns dias e outras durarem uma vida inteira. Já Eric Klann, do New York University Center for Neural Science trabalha com o controle na síntese de proteínas e seu papel na formação da memória. Ele observa que alterações específicas nas vias de síntese de proteínas podem levar a alterações no desenvolvimento, autismo e esquizofrenia.

Câncer - Oncologia também será um tema central durante a semana de evento. Gabriela Chiosis, do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, dos Estados Unidos, que desenvolveu inibidores de proteínas denominadas chaperonas, alguns deles já em trial clínico. No processo tumoral as chaperonas têm um papel central uma vez que garantem o correto enrolamento de proteínas com mutações, que deveriam ser degradadas, mas que permanecem nas células provocando tumores. Uma destas chaperonas é chamada HSP90.

O grupo de pesquisa da Gabriela Chiosis acredita que estas proteínas também têm um papel importante em doenças neurodegenerativas onde alterações podem levar a um dobramento errôneo de proteínas, particularmente neuronais que também são estabilizados por HSP90. Desta forma a identificação de compostos que possam inativar a HSP90 tanto no câncer quanto em doenças neurodegenerativas é crucial para o sucesso no tratamento.

Guido Zaman, da Merck, Sharp & Dohme, trará informações sobre como ocorre o processo de desenvolvimento de uma droga pela indústria farmacêutica, particularmente as chamadas pequenas moléculas. Estas podem atuar em doenças como câncer, doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e imunológicas. Os alvos destas drogas são particularmente duas classes de proteínas: as chamadas proteínas G, que representam um grande número de proteínas receptoras de sinal na célula e as proteínas cinases que passam as informações recebidas. No Encontro, Zaman descreverá as abordagens industriais para identificação e produção destas moléculas como bibliotecas de compostos, screening de alta eficiência, processamento de dados, descoberta baseada na forma das proteínas e química medicinal.

Elena Paquale, do Sanford-Burnham Medical Research Institute, dos Estados Unidos, trabalha com um grupo de proteínas responsáveis pela comunicação entre as células chamadas efrinas e receptores de efrinas. Elas são importantes alvos de terapia no câncer, pois têm, entre outras funções, atividade sobre a formação de novos vasos sanguíneos, a chamada angiogênese. Este processo é muito importante para garantir o suprimento de sangue no tumor e sua modulação é muito importante para o controle do crescimento tumoral. Estas proteínas podem ser ainda usadas como alvos para a liberação de agentes quimioterápicos ou toxinas especificamente nos tumores ou como marcadores para diagnóstico. Outro aspecto destas proteínas é seu envolvimento na regeneração de lesões no sistema nervoso, o que as torna alvo importante no tratamento de doenças neurodegenerativas.

Destaque ainda deve ser dado a cientistas do Hospital A.C.Camargo atuando agora no novo Centro Internacional de Ensino e Pesquisa (CIPE) como Silvia Rogatto, que desenvolve estudo para identificação de marcadores de resistência a quimioterapia, Dirce Carraro, que faz um estudo em larga escala para identificação de todas as mensagens produzidas pelas células de tumores de mama e Emmanuel Dias-Neto, que trabalha na identificação de moléculas chamadas microRNAs. Todos estes achados estão intimamente associados com a identificação de alvos que podem ser usados para controlar ou destruir as células tumorais. Ainda, Fernando Soares, diretor da pós-graduação e da Anatomia Patológica do Hospital A.C.Camargo falará sobre a patologia tradicional e a patologia molecular no diagnóstico dos tumores, o que é crucial para a indicação do tratamento destas doenças e que tem impacto altíssimo na cura, no aumento da sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes portadores de tumores.

O neurocientista Don Cleveland, que dirige o Laboratório de Medicina Molecular do Ludwig Institute for Cancer Research na University of Califórnia. Em duas aulas, Cleveland discorrerá sobre como alterações no processo de distribuição celular pode levar a um número anormal de cromossomos e assim ser um mecanismo para formação de tumores como os glioblastomas e também sobre os seus mais recentes achados sobre mecanismos moleculares associados à esclerose lateral amiotrófica que validam o uso de terapias com células tronco progenitoras de células gliais para retardar a progressão da doença.

Glioblastomas - Alterações específicas causadas por trás do processo de aneuploidia, decorrente da má distribuição dos cromossomos durante a duplicação celular podem ser a chave para descoberta de novos alvos para tratamento do câncer, particularmente de tumores extremamente agressivos como os glioblastomas, que são derivados de um dos tipos principais de células do cérebro, as células da glia.

Para chegar a esta conclusão, o neurocientista Don Cleveland estudou o processo de duplicação celular, no qual todos os cromossomos são copiados e depois precisam ser divididos entre as duas células filhas. Neste processo, uma rede complexa de "cabos" formadas a partir de pólos opostos das células toca a parte central de cada cromossomo e puxa cada um dos 22 pares de cromossomos e os cromossomos X ou Y para cada um dos pólos da célula. Desta forma os grupos de cromossomos que pertencem as células filhas fica polarizado. Começa então um processo de estrangulamento a partir da membrana da célula que gerará duas células filhas.

Este fenômeno, no entanto, é muito complexo e deve ser regulado de maneira muito precisa para garantir a distribuição correta dos cromossomos durante a duplicação das células. A má distribuição destes cromossomos leva células a ter um numero anormal de cromossomos - aneuploidia - que é uma alteração cromossômica muito comum e um dos mecanismos responsáveis pela formação de tumores. Cleveland identificou atores celulares que participam do processo de aneuploidia.

Esta descoberta promete revolucionar as terapias de combate de tumores particularmente os glioblastomas, agindo apenas sobre as células tumores e preservando as sadias. No tratamento convencional destes tumores são comuns danos indesejáveis a outro tipo celular presente no cérebro, os neurônios, levando assim a importantes alterações cognitivas nos pacientes.

Esclerose lateral amiotrófica - Don Cleveland é um dos mais importantes expoentes do mundo em pesquisas sobre os mecanismos moleculares associados à esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal caracterizada pela degeneração de neurônios motores no cérebro e na medula espinhal. Mutações no gene das enzimas superóxido dismutase (SOD) e na proteína TDP43 são caminhos estudados pelo neurocientista para estabelecer novos alvos terapêuticos.

Quase a totalidade dos pacientes com ELA tem doença esporádica (sem características hereditárias) mas elas compartilham mecanismos semelhantes as formas hereditárias da doença. Entre as mutações mais comuns por trás da ELA está a do gene da enzima superóxido dismutase (SOD) que é responsável pela inativação de radicais livres. Usando um modelo animal de camundongos que apresentam a mutação em SOD, Cleveland levou a uma mudança de paradigma com relação às causas destas doenças. Os indivíduos portadores das formas genéticas das doenças apresentam a alteração em todas as células do organismo, mas acreditava-se que a presença da mutação nos neurônios motores é que seria responsável por sua degeneração.

O pesquisador criou modelos animais onde a presença da proteína mutante podia ser ligada ou desligada apenas em neurônios motores e observou que quando esta era desligada nestas células, mas não no restante do animal, o inicio da doença era retardado, mas não sua progressão. Por outro lado, quando a proteína mutada era desligada nas células gliais, não ocorria mudança no tempo de aparecimento da doença, mas sua progressão era bastante diminuída. Portanto, a mutação nos neurônios motores é responsável pelo inicio da doença, mas sua toxicidade nas células glias presentes na vizinhança destes neurônios acelera sua progressão. Estes achados validam o uso de terapias com célula troco progenitoras de células gliais para retardar a progressão da doença.

Outra mutação associada a esta doença está na proteína TDP43, também localizada erroneamente nas células de pacientes com ELA esporádica. Esta proteína liga ácidos nucléicos (DNA e RNA) e controla a presença de mensagens alternativas nos neurônios motores que podem contribuir para sua vulnerabilidade. Num projeto que usou técnicas de alta resolução e eficiência, a equipe de Don Cleveland mapeou um grande número de mensagens que são alteradas pela proteína TD43. Entre elas encontram-se mensagens relacionadas a proteínas formadoras das sinapses, regiões especializadas dos neurônios que conectam outros neurônios para transmissão de informações. Os genes codificadores destas proteínas também podem ser alvo para terapia.

Seguindo a mesma linha, Don Cleveland está trabalhando numa técnica de inibição de genes dominantes cujas mutações estão envolvidas em doenças neurodegenerativas. Esta técnica baseia-se na supressão no sistema nervoso de qualquer destes genes pelo uso de oligonucleotídeos (ASOs). Estudos em primatas não humanos mostraram que a inibição do gene da huntingtina, responsável pela doença de Huntington reverte os quadros da doença.

Aulas de Don Cleveland: 19/6 às 11h30 - Guarding the genome: aneuploidy and tumorigenesis e 20/6 às 13h30 - From Charcot to Lou Gehrig: mechanisms and therapy in Amyotrophic Lateral Sclerosis.

Bolsitas do Brasil e outros 15 países

Com o apoio da FAPESP, foram distribuídas cento e vinte bolsas integrais para cientistas matriculados em cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado no Brasil e exterior, que foram selecionados por seus currículos. Além do Brasil, detentor de metade das vagas, as outras foram preenchidas por alunos da África do Sul, Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, China, Espanha, Estados Unidos, França, Israel, México, Portugal, Reino Unido, Suíça e Uruguai.

Câncer de pâncreas: melhor resposta ao tratamento com quimioterapia - Um dos bolsistas vem de um dos principais centros de tratamento de câncer do mundo, o M.D.Anderson Cancer Center. Trata-se de Mathias Ilmer, que estuda câncer de pâncreas, tumor bastante agressivo que apesar de diversas abordagens testadas a sobrevivência dos pacientes não tem mudado há décadas, sendo de apenas 5% em 5 anos.

Ilmer identificou que estes tumores apresentam uma população de células com características de células tronco tumorais, isto é tem uma alta capacidade de auto-renovação. Ele caracterizou que estas células apresentam alteração numa via de sinalização envolvida com a morte celular que as tornava particularmente resistentes a destruição por agentes quimioterápicos. Por outro lado, a manipulação de vias que fazem com que estas células percam características de células tronco, reverte sua resistência ao tratamento. Portanto, estratégias que possam manipular o estado "tronco" destas células podem sensibilizá-las ao agente quimioterápico levando a uma maior eficiência no tratamento.

Mecanismos associados à doença de Parkinson - O também bolsista Francisco Pan-Montojo, do Centro de Terapias Regenerativas da Universidade de Dresden, na Alemanha, estuda os mecanismos associados a doença de Parkinson. Esta doença é altamente prevalente na população, principalmente acima de 65 anos. A doença é lentamente progressiva e caracterizada pela disfunção do sistema somatomotor (rigidez, instabilidade postural, distúrbios na marcha e tremor). Francisco Pan-Montojo mostra que a disfunção pode ocorrer pelo transporte de proteínas celulares específicas como a sinucleína ao longo das fibras nervosas a partir do sistema entérico, um conjunto de neurônios que integram o sistema digestivo, passando pelo nervo vago, a medula espinhal e a substância negra no cérebro onde estão os neurônios que são especificamente afetados nesta doença.

Os dados mostram ainda que o transporte desta proteína pode ser aumentado por um pesticida de uso relativamente comum, a rotenona, o que indica que este pode ter um papel importante na progressão da doença. "Além de descrever mecanismos que podem ser alvo de terapias na Doença de Parkinson o trabalho de Francisco Pan-Montojo dá evidencias de fatores ambientais que contribuem para seu agravamento", destaca a bioquímica do Hospital A.C.Camargo e coordenadora geral do evento, Vilma Regina Martins.

Além dos bolsistas, o programa reunirá 33 cientistas de renomados Institutos como o Memorial Sloan-Kettering, Robarts Research Institute, SicKids, Sanford-Burnham e Ludwig Institute for Cancer Research universidades dos Estados Unidos, Canadá, e Brasil como o Universidades de Nova Iorque, Washington, Duke, Toronto, Califórnia, Ontário, Católica do Rio Grande do Sul Federais de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, dentre outras. Eles falarão sobre as linhas de pesquisa que estão na fronteira do conhecimento em medicina molecular voltadas principalmente para as alterações moleculares e celulares relacionadas ao câncer e as doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, a Esclerose Lateral Amiotrófica e as doenças por prions e como estas alterações podem se tornar alvos terapêuticos.

De acordo Vilma Regina Martins, o diferencial está em colocar os alunos em contato direto com cientistas renomados e extremamente produtivos nestas áreas, proporcionando a eles uma oportunidade única de conhecer e debater sobre a pesquisa translacional. "É uma enorme oportunidade dos jovens cientistas, com grandes expectativas relacionadas ao início de suas carreiras, de conseguir engajamento em grupos de pesquisa altamente produtivos e compartilhar suas ideias com cientistas que são referências mundiais", ressalta.

Na edição inaugural, realizada em abril de 2010, o A.C.Camargo Global Meeting reuniu cientistas que abordaram as atualidades em Genômica, Oncologia, Imunologia e Neurociência a uma seleta plateia de 115 jovens cientistas selecionados entre mais de 400 inscritos de doze países (Estados Unidos, Portugal, Canadá, Finlândia, Itália, Japão, Inglaterra, Índia, Argentina, Holanda e Alemanha, além do Brasil).

Sobre o Hospital A.C.Camargo - Instituição filantrópica criada em 1953 por Antônio e Carmen Prudente, o Hospital A.C.Camargo é um dos maiores centros de tratamento oncológico da América Latina. De forma integrada e multidisciplinar, atua na prevenção, diagnóstico e tratamento ambulatorial e cirúrgico dos mais de 800 tipos de câncer identificados pela Medicina, divididos em mais de 40 especialidades.

A cada ano identifica e trata 14 mil novos casos da doença, com pacientes de diversas partes do país e exterior, totalizando mais de 950 mil atendimentos (consultas, exames laboratoriais e por imagem, internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, entre outros). Seu corpo clínico é composto por uma equipe fechada de 403 médicos especialistas, a maior parte com mestrado e doutorado. A dedicação e interação destes profissionais em atividades interdisciplinares resulta em um tratamento com melhores índices de sucesso, só comparáveis aos observados em centros oncológicos da América do Norte e Europa.

Na área de ensino, o A.C.Camargo criou a 1ª Residência em Oncologia do país, em 1953, e é responsável pela formação de um em cada três oncologistas em atividade no Brasil. Sua pós-graduação, criada em 1997, é a única em um hospital privado reconhecida pelo Ministério da Educação e foi avaliada com nota máxima durante toda essa década pela CAPES, tornando-se assim, entre escolas públicas e privadas, a melhor do país em Oncologia e uma das duas melhores em Medicina. Tem a maior produção científica da área, com mais de mil trabalhos publicados na última década nas principais revistas internacionais de alto impacto. Centralizou em 2000 o Genoma do Câncer no Brasil, financiado pela FAPESP e Instituto Ludwig, instituição de pesquisas em câncer que o A.C.Camargo abrigou por mais de 20 anos.

Em 2009, o Hospital foi apontado pela edição 500 Melhores Empresas da revista Istoé Dinheiro como uma das melhores em Saúde pelo terceiro ano consecutivo. No mesmo ano foi eleito pelo Guia Você S/A Exame como uma das Melhores Empresas para Você Trabalhar e pela segunda vez consecutiva está entre as 10 melhores empresas de serviços médicos do Brasil na Gestão de Pessoas, de acordo com o anuário Valor Carreira.