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Correio Popular

110 anos de cultura

Publicado em 30 outubro 2011

Por Delma Medeiros

Um marco de resistência cultural na cidade, o Centro de Ciências Letras e Artes (CCLA) completa 110 anos de luta pela difusão das várias formas de manifestação artística com o desafio de viabilizar a construção de sua nova sede. As comemorações pelo aniversário ocorrem amanhã, com palestra do historiador Duílio Battístoni Filho e apresentação dos vencedores do Concurso Estímulo para Jovens Cantores Líricos. "O professor Battistòni vai falar um pouco sobre a história do CCLA, e os cantores Randal Cunha (barítono, melhor voz masculina), Ana Lúcia Benedetti (soprano, melhor voz feminina) e Natasha Salles (soprano, melhor intérprete de Carlos Gomes) apresentam três números musicais cada, com obras de vários autores e, em especial, Carlos Gomes", informa o presidente do CCLA, Marino Ziggiatti.

Ele não esconde o orgulho por presidir a primeira instituição campineira de defesa da cultura e arte. "É uma raridade uma entidade cultural permanecer em atividade por tanto tempo no Brasil. Há mais de 100 anos, o CCLA é a única instituição que preserva a memória de dois filhos ilustres de Campinas, o presidente Campos Salles e o compósitos Carlos Gomes", informa.

Segundo ele, a instituição guarda preciosidades como as cartas de cumprimento pela posse de Campos de Nicolau B, último czar da Rússia, e do imperador chinês, a primeira manifestação cultural da China em relação ao Brasil. "No Mu eu Carlos Gomes temos mais de 3 mil partituras originais, tanto de Carlos Gomes como de seu pai Maneco e do irmão Santana Gomes, um dos fundadores do CCLA", diz Ziggiatti, afirmando que as partituras estão muito bem conservadas.

Ele conta que o Museu recebeu uma dotação do Fundo de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para o levantamento e preservação do acervo. "Uma museóloga e uma musicóloga fizeram o levantamento e indicaram a melhor maneira de conservar o acervo. Mas precisamos de mais espaço para poder expor todas as peças valiosas que temos", afirma o presidente.

Este é o grande desafio da instituição: levantar recursos para construir a nova sede. O terreno para o prédio foi doado ao CCLA na gestão do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, o projeto de construção está aprovado, mas a concretização da obra depende da captação de recursos da ordem de R$ 8 milhões. A expectativa é de sair do prédio atual, de cerca de mil metros quadrados, para uma sede de 3,6 mil metros quadrados. "Nesse espaço poderemos expor condignamente todo o rico acervo do CCLA", diz Ziggiatti, citando ainda a biblioteca de mais de 120 mil títulos, a coleção de jornais e revistas do início do século passado, como A Gazeta de Campinas, o jornal mais antigo da cidade, entre outras preciosidades históricas.

O novo prédio vai também resolver o problema da acessibilidade. "O prédio da sede amai é da década de 40. Era adequado na época, mas a escadaria é hoje uma barreira arquitetônica para pessoas com deficiência. Vamos resolver esse problema no novo prédio." O CCLA está pleiteando aprovação da lei Rouanet para buscar apoio na iniciativa privada para a construção. "O CCLA é um patrimônio da cidade e do país. É um dever de cidadania da população apoiar essa iniciativa", acrescenta Ziggiatti.