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11 de Setembro: maior incidência de câncer entre socorristas

Publicado em 19 julho 2019

Por Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP

Socorristas que atuaram nos resgates do atentado de 11 de setembro de 2001, em Nova York, tiveram incidência três vezes maior de câncer de tireoide do que o esperado para a população em geral.

A comprovação do aumento se deu com o uso de um método que emprega quatro biomarcadores capazes de distinguir expressões genéticas ligadas a tumores benignos e malignos. Os testes, desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em colaboração com a Johns Hopkins University School of Medicine, nos Estados Unidos, teve apoio da FAPESP por meio do Projeto Temático "Sequenciamento completo do exoma, Paired-end RNA e genoma".

Os motivos desse aumento da incidência de câncer de tireoide, revelado em estudos anteriores, ainda não foram esclarecidos. No 11 de setembro de 2001, e em um longo período depois disso, os socorristas trabalharam na busca por sobreviventes entre escombros e no atendimento a vítimas do pior ataque estrangeiro nos Estados Unidos, quando quatro aviões tiveram como alvo as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, o Pentágono, em Washington, e uma área na Pensilvânia.

Por anos, acreditou-se que a maior incidência de câncer de tireoide nessa população específica pudesse estar relacionada ao excesso de falsos positivos no diagnóstico de tumores malignos na tireoide. No entanto, um novo artigo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health descreve um estudo que comparou os resultados do uso dos biomarcadores com a análise do diagnóstico histológico realizado com 37 socorristas monitorados pelo World Trade Center Health Program. A comparação mostrou que não houve um único caso de falso positivo entre os socorristas que participaram da análise na comparação com o novo método.

O estudo realizado com os socorristas serviu como uma forma de confirmar a acurácia de uma técnica desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros.“Para a confirmação dos casos de câncer, usamos um painel composto por quatro biomarcadores capazes de indicar se o tumor de tireoide é maligno ou benigno.

Esse painel foi desenvolvido pela nossa equipe e teve como objetivo inicial servir como teste pré-cirúrgico para nódulos da tireoide denominados indeterminados, pois não se pode determinar se são benignos ou malignos. Os marcadores que utilizamos são genes cuja função no câncer da tireoide ainda é desconhecida e está sendo explorada pelo nosso grupo”, disse Janete Cerutti, professora da Disciplina de Genética da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e pesquisadora responsável pelo Projeto Temático.

Desenvolvidos pela equipe de Cerutti de 2004 a 2011, os biomarcadores atuam de acordo com o aumento ou diminuição da expressão de genes ligados ao câncer de tireoide.

Depois de um trabalho de sete anos, a equipe criou um painel de marcadores mais simples do que os testes convencionais por ser baseado na expressão genética de apenas quatro genes: DDIT3, ITM1, C1orf24 e PVALB.

O teste permite distinguir a ocorrência de carcinoma folicular de tireoide, carcinoma de células de Hurthle e carcinoma papilífero da tireoide (formas malignas) do adenoma folicular e adenoma de células de Hurthle da tireoide (forma benigna) por meio da análise de combinações dos níveis de expressões dos genes.