Notícia

B2B Magazine

10 anos de CG

Publicado em 01 julho 2005

Por Cid Torquato

Em 31 de maio, comemorou-se os dez anos da internet no Brasil. E há razões de sobra para festejarmos, ainda que questionando a data. Tudo começou em 18 de setembro de 1988, quando a Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e o LNCC — Laboratório Nacional de Computação Científica, do Rio de Janeiro, se conectaram, pioneiramente, ao Fermlab, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, e à Universidade de Maryland, respectivamente. Passam a ter acesso à rede Bitnet (because it is time network), e, na seqüência, também à HEPNet — High Energy Physics Network, que, além de correio eletrônico, permitia login remoto a arquivos e bases de dados.
Dessa época vêm as primeiras redes nacionais, como a ANSP — An Academic Network at São Paulo, ligando o hub da Fapesp aos mainframes de USP, Unicamp, Unesp e IPT. Na data histórica de 18 abril de 1989, esse mesmo grupo de acadêmicos registra junto a lANA — Internet Assigned Numbers Authority braço da militar Arpanet, o primeiro pacote de domínios .br, para as universidades.
Pelo convênio com a ESNet — Energy Science Network, janeiro de 1991 marca o recebimento do primeiro "pacotinho" de dados em TCP/IP. Ao mesmo tempo, a RNP — Rede Nacional de Ensino e Pesquisa põe no ar o primeiro backbone nacional, com pontos de 9600 bits nos Estados, e núcleo, formado por São Paulo, Rio e Brasília, com conexões espetaculares" de 64k.
Desde o fim de 1989, já começam os esforços, heróicos, para a "inclusão" de usuários não-acadêmicos. As ONGs, spin-offs das universidades, pela rede Alternex/Ibase, do Betinho. A ECO 92, no Rio, tem papel fundamental nessa história. Convênio entre a UFRJ e o San Diego Supercomputer Center permitiu que os participantes dessa grande cúpula ambientalista da ONU, por meio da rede NSFNET, acessassem mensagens, listas de discussões, arquivos remotos e — novidade ! — fizessem downloads.
1993 foi o ano das BBSs, inspiradas pela "BBS-mãe", AOL — America On-Line, considerada, pelos puristas acadêmicos, "o começo do fim". Nessa fase, os chats e outros recursos também utilizavam o protocolo UUCP, cenário que propiciou o desenvolvimento do "ecossistema" World Wide Web.
No começo de 1994, a Embratel lança, no mercado, a "lista de espera" para acesso discado e endereço eletrônico. Em dezembro, o ministro Sérgio Morta enxerga mais longe e assina portaria que afasta o Sistema Telebrás do provimento ao usuário final, possibilitando o florescimento de toda uma "indústria" de acesso e, conseqüentemente, de conteúdo, até os dias de hoje.
Os pais da internet, que personificaram esses e outros momentos, foram "empossados" a partir de 31 de maio de 1995, com a criação do Comitê Gestor, pela Portaria Interministerial 147. Nossos respeitos e agradecimentos, on & off-line, a Demi Getschko, Ivan Moura Campos, Tadao Takahashi, Eduardo da Costa, Carlos Afonso, Carlos Lucena, Hartmut Glaser, Sílvio Meira, Cássio Vecchiatti, Artur Pereira Nunes, António Tavares, Paulo César Breim (vulgo PCB), Aleksandar Mandic e outros tantos grandes e-brasileiros.

Cid Torquato é advogado e diretor-executivo da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico
Cid.torquato@camara-e.net